Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

tra la lan

Conversas de linhas e alinhavos, fogo baixo e ervas do campo... saberes de antes com sentido no mundo de agora. Da auto-suficiência à simplicidade voluntária, saber fazer e viver de raiz.

tra la lan

Conversas de linhas e alinhavos, fogo baixo e ervas do campo... saberes de antes com sentido no mundo de agora. Da auto-suficiência à simplicidade voluntária, saber fazer e viver de raiz.

Qui | 11.06.20

O tempo de remendar e o vagar de cerzir

Sassão

 

Lembro-me de, pequenina, ter um ovo de madeira em que cerzia as meias de renda. Umas meias até ao joelho que usava com os vestidos. Até gostava que se rompensem, pois davam uns vestidos bem giros para as bonecas! 

Ouvi sempre falar da importância de saber fazer tudo, “porque nunca se sabe o dia de amanhã” e “não podemos ensinar se não soubermos fazer". Cerzir fazia parte da panóplia de conhecimentos necessários. É verdade... 

Confesso que nunca cerzi uma meia “depois de grande” 😂.

Gosto da ideia de usar o que tenho até ao último fôlego. Não gosto da rapidez do descartável, do imediato. A vida lançou-nos num quotidiano vivido num rodopio em que não há vagar para estes saberes. 

A cultura do consumo diz-nos que não vale a pena perder tempo, se há roupa “barata” e a moda nos dá vontade de ter as novidades.

Mas além das questões do impacto ambiental do consumo, das condições desumanas em que são feitas as roupas “baratas”, o rejeitar algo que está condições tornou-se um absurdo para mim.  

A cultura japonesa fez do “consertar” a roupa uma arte.

O boro ou o sashiko têm sido adotados pelos países ocidentais pela sua componente estética, mas a reparação de roupas (e objetos) faz parte de um modo de estar tradicional que muitos japoneses ainda valorizam e se esforçam por manter.

Deixo um vídeo com o trabalho de arranjo de umas calças de ganga que mostra tão bem o respeito - sim, o Respeito! - por uma peça de roupa já tão vivida. 

 

 

Por aqui, tudo o que possa recuperar, coser, cerzir... vai para o cesto da costura ganhar vez. Pode esperar uns meses, mas há-de sair!

Também gosto de fazer umas brincadeiras com alinhavos, e não perdi a esperança de usar o boro e o sashiko com todos os preceitos... vou treinando!...

 

 

 

 

 

 

 

7 comentários

Comentar post